Os Batistas e a falência do Capitalismo de Estado


O Capitalismo de Estado, consiste no financiamento público a empresas privadas selecionadas pelos governantes, buscando que essas empresas se tornem campeã nacional em sua área, ignorando a livre concorrência e o direito de escolha do consumidor. Essas empresas vivem da corrupção dos agentes políticos em busca de financiamentos públicos e de vitórias em licitações fraudulentas. É uma relação promiscua e corrupta entre grandes empresários e agentes políticos que controlam os recursos públicos.

Conhecido no meio empresarial como o açougueiro, Joesley Batista transformou um modesto frigorífico criado por seu Pai em Goiás, no maior grupo privado do Brasil e o maior produtor de proteína animal do mundo.

A Holding (sociedade gestora que controla conglomerado de várias empresas) J&F Investimentos, é proprietária da JBS (Friboi, Seara, Laticínios Vigor), Hipermarcas (medicamentos, higiene e limpeza), Papel e celulose, Termoelétricas, Canal Rural e Radio Rural, Alpargatas (sandálias Havaianas) e o recém criado Banco Original.

O modesto açougueiro, tornou-se em 10 anos, industrial, empresário de mídia e banqueiro. Um feito enorme de dar inveja a grandes empreendedores e capitalistas do mundo.

Assim como o Eike, que também é Batista, Joesley o açougueiro, foi agraciado pelos governantes em receber financiamentos do BNDES, investimentos de Fundos de Pensão e recursos do FGTS, todos com juros de Pai para Filho.

O capitalismo de estado é uma versão contrária das ideias originais capitalistas, que defende a livre concorrência, estimula o empreendedorismo e premia os melhores, não os corruptores.

A Operação Lava Jato despostou a moral perversa desse capitalismo de Estado que alimentou a corrupção política e se realimentou desta relação. Esse castelo de areia formado pelo apetite insaciável de corruptos e corruptores desmoronou.

A corrupção no Brasil se tornou sistêmica. Se ela é cultural, precisamos ressignificar essa cultura. Não podemos continuar valorizando a conquista fácil, os atalhos e jeitinhos que favorecem ostentação de poucos em detrimento da miséria de milhões.

Não adianta condenar os 51 milhões encontrados no Apartamento 201 do Tio Patinhas Geddel ou os atalhos do açougueiro Joesley Batista e continuarmos nas eleições, negociando o voto pelo Botijão, medicamento, cargo ou outros interesses.

A nossa indignação com a corrupção do outro deve nos tornar intolerantes com nossos desejos e ações corruptas, só assim, transformaremos o Brasil em um país melhor.

Reinaldo Soares é Mestre em Cultura e Turismo pela UESC/UFBA, Diretor do IBEC, Ex Presidente do Conselho Municipal de Educação de Ilhéus, Palestrante, Professor do Colégio Estadual Horizontina Conceição e da Pós-Graduação da FACSA/IBEC. E-mail: profreinaldosoares@hotmail.com
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