Por Marcos Vinicius*
2 de Julho é o marco, mas até esta data, deputados se estapearam; Guerra de ingleses e franceses influenciou a crise econômica, política e social na nova salvador em colônia Brasil do século XIX.; Um convento invadido resultou assassinato de uma mulher religiosa; Farpas entre militares que trabalhavam juntos gerou mortos; Mata-Marotos surgiram; Os escassos de enfermarias e cuidados medicinais guerrearam contra os esfomeados; No mar com duração de horas, Batalharam; Marisqueira surrou portugueses com plantas; E na madrugada fugiram os perdedores; Ufa! Essas foram algumas das faces do que podemos chamar de independência do Brasil na Bahia.
Em plena guerra entre franceses e ingleses nossos antepassados no século XIX conquistaram com arcabouços improvisando baionetas, arcos e flechas, facões e outras armas artesanais a independente de nossa pátria, hoje livre. Crises internas e internacionais separaram política e socialmente a colônia brasileira de Portugal. Por trás da independência brasileira comemorada no sete de setembro, houve um protagonismo de pessoas baianas.
Houveram diversos levantes (com luta armada) dos provincianos providenciando mostrar a insatisfação ao realinhamento de famílias tradicionais interessadas no papel economicamente estratégico da colônia brasileira. Essas famílias tinham interesses em manter o território brasileiro sua colônia rentável.
Mudanças de figuras político-militares com intuito de conter os ânimos na Bahia geraram mais insurgências e conflitos. Os colonizadores erraram rude. O assassinato de uma mulher religiosa por exemplo foi usado como recurso retórico da propagação da defesa da independência, aumentando a insatisfação dos baianos e baianas.
Com os frutos dessa e outras medidas equivocadas os colonizadores criaram um ambiente com discurso radical nas ruas e também no parlamento onde em uma sessão plenária no congresso em 1822 o deputado Luís Paulino e o deputado Barata de Almeida entram em vias de fato cada qual defendendo seu ponto de vista dos rumos baianos.
Enquanto isso nas ruas sem domínio nenhum de oficiais (pelo caos instaurado) os soldados brasileiros e soldados portugueses entravam em farpas inclusive gerando assassinatos entre eles. O descontrole era vivido por civis e militares dia a dia e para defenderem-se os civis dominantes (proprietários de escravos por exemplo) improvisavam armas com engenhocas diversas onde somando com elementos geográficos, problema de insumos e mercadorias, todos esses conflitos auxiliaram na correlação de forças que resultaram nas vitórias dos baianos patriotas celebrado no 2 de julho.
As batalhas na Bahia foram importantes para a consolidação do estado brasileiro. Elas garantiram no século XIX a unidade territorial necessária para sermos o país que somos hoje. Importantes historiadores afirmam que dos caminhos percorridos para nossos antepassados alcançarem a independência do Brasil, as batalhas na Bahia foram cruciais pois alguns estudiosos destacam a probabilidade de um Brasil dividido em mais de um país.
Salvador que nessa época se tornara: primeira capital do Brasil; cidade das mais ricas com 50 mil habitantes e proprietária da primeira faculdade de medicina do Brasil era também a segunda cidade que mais exportava escravos gerando lucros para a classe alta da época. Nesse cenário o latifúndio, o domínio do mercado escravista e da liberdade do comércio eram os interesses da elite baiana, presentes nas províncias do recôncavo, tanto que, em cachoeira centro político do processo de independência nasceu uma imprensa nacional para combater os portugueses dentro de salvador em defesa desses interesses.
As vilas ligadas como uma espécie de região metropolitana foram protagonistas dos duelos, pelejas vitoriosas a partir das vilas do recôncavo baiano. Há de se destacar a jovem nascida da região de feira de santana: Maria Quitéria de Jesus Medeiros que de acordo com fontes historiográficas era aceitada pela tropa patriota em batalhas demonstrando veemência em seu propósito.
Os efetivos com membros da elite açucareira; voluntários recrutados em vilas; índios flecheiros; vaqueiros do sertão; escravos negros e soldados derrotados saídos de salvador Impediram o abastecimento dos soldados portugueses dominando as estradas, gerando desabastecimento alimentar de farinha que chegavam do recôncavo, e carne que chegavam do sertão (principal base alimentar do brasil dominado por Portugal) e com uma das estratégias mais certas, a cidade de salvador foi cercada e os soldados portugueses foram desestruturados pela fome levando a guerra para condições de cercos aos portugueses presentes em salvador.
Sem alimentos básicos, a esperança dos inimigos contra os baianos foi a formação de um exército nacional com cariocas, pernambucanos e outros convocados por Dom Pedro sob o comando de um experiente general francês que anos antes havia lutado pela independência da Colômbia sobre as ordens de bolívar. Forma-se então, um exército nacional pelo imperador.
As tropas portuguesas tentaram retomar o abastecimento alimentar de salvador mas entre derrotas e vitórias de ambas as partes em 2 de julho com vitória absoluta brasileira Portugal é derrotada e a intervenção armada bem preparada de Portugal ao território brasileiro provou seu próprio veneno pois na história registrada os portugueses utilizaram a mesma estratégia de cerco contra os holandeses duzentos anos antes de serem pegos na mesma estratégia por nossos antepassados baianos.
Sem todos esses aspectos a história de independência brasileira poderia ter sido diferente.
É importante ressaltar que muita gente nas roças e nas ruas permaneciam em permanente estado de mobilização inclusive a participação popular e feminina de Maria Felipa e suas discípulas que utilizando uma espécie de urtiga (uma planta) defenderam a Bahia dando surras nos portugueses com a planta e poucos são os documentos que revelam a participação feminina da negra Maria Felipa mas na ilha de Itaparica há vestígios orais que registraram a atuação fundamental dela e dessas mulheres que dificultaram a logística dos inimigos.
Hoje a independência da Bahia ou 2 de julho tornou-se um marco de reflexão e perpetuação de um momento decisivo no Brasil. O 2 de julho é um compromisso e que cada pessoa ao ler esse singelo artigo lembre-se desse compromisso, um compromisso de baianos e baianas munidos de liberdade pra avançar, um compromisso com a independência do Brasil, um compromisso com a vitória e sim, a Bahia é uma terra vitoriosa, com pessoas vitoriosas.
Portanto é preciso conservar, aperfeiçoar a nossa sociedade pois com tiranos não combinam baianos corações e a memória é um elemento fundamental para cidadania participativa de cidadãos que tenham exata medida de que tudo que nós temos e conquistamos foi com esforço, sangue, suor e luta.
* Marcos Vinicius Vieira Reis é graduando da Universidade Estadual de Santa Cruz em História e está delegado eleito para a Conferência Nacional de Educação pelo município de Ilhéus.




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